COMO PODE O BRASIL SER PÁTRIA DA EDUCAÇÃO SE CORTARAM AS VERBAS. "CADÊ O DINHEIRO PARA AS ESCOLAS MADAMA DILMINHA"?

Manoel Braga/Johnny Daniel/JusBrasil

Cortes no Ministério da Educação afeta diretamente programas de financiamento e assistência estudantil em todo o Brasil. No primeiro dia do ano, em seu discurso de posse do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff lançou o lema do novo governo: "Brasil, Pátria Educadora". Entretanto, até agora, o discurso destoa totalmente do que acompanhamos na prática. Diversos estudantes enfrentam o drama de precisar abandonar o curso superior em decorrência das novas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Verbas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) foram cortadas. O impacto do contingenciamento de recursos federais afeta diretamente as instituições. As Universidades Federais, por exemplo, reduziram consideravelmente os recursos para assistência estudantil. Semana passada, instituições ligadas à área da Educação lançaram manifesto contra corte orçamentário nessa área. Muito campus do interior ainda não recebeu auxílio financeiro para benefícios e já cogita-se a possibilidade de suspender viagens para congressos e eventos. Na verdade, encontraremos diversas inversões de valores ao avaliarmos as verbas destinadas a determinados setores e, sem dúvida, injustiças relacionadas ao dinheiro que deveria estar sendo investido na Educação. Impossível compreender, por exemplo, como o estudante pode sobreviver com apenas R$ 400 mensais durante o período em que estiver cursando a graduação. O montante, da chamada Bolsa Permanência, não é suficiente nem para custear as despesas básicas, como moradia, água e energia elétrica. Alguns contam com o acréscimo do auxílio alimentação, pouco superiores a R$ 200. Fica impossível, portanto, custear os materiais exigidos para estudo. O ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, que assumiu na última segunda-feira, em recente entrevista ao jornal "Folha de São Paulo", falou da democratização do ensino no Brasil. O desafio, no entanto, é garantir que esse acesso ocorra na prática, investindo para assegurar qualidade e oportunidade para que os alunos de baixa renda possam ter o direito de cursar uma universidade e aspirar melhores colocações no mercado de trabalho. Pesquisa realizada pela Universidade Estácio de Sá mostra que o egresso da faculdade tem ganha o salarial médio de 58%. Hoje, as vagas em universidades públicas ainda estão concentradas nas mãos de poucos e são enormes as dificuldades dos jovens que precisam sair do interior para estudar em cidades maiores. A começar pela quantia irrisória do auxílio estudantil e as diversas ofertas de cursos em período integral, o que impossibilita ao acadêmico conciliar trabalho e estudo. Há um abismo entre discurso e prática. Tivemos significativos avanços em relação ao acesso ao ensino superior nos últimos anos e não podemos ter retrocesso justamente no mesmo ano em que a promessa foi ter a educação como prioridade.


 

 

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